Sub-textos

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Abriu a porta.
Abriu a boca.
Os dentes escancarados.
Um sorriso entusiasmado ou uma trincada raivosa?
 
 
Obs: Nanquim e lápis de cor em background de Photoshop.

Batendo palma pra maluco ganhar

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É um fanboy de respeito. Leva a sério o ativismo.
Diante de algo que visivelmente é uma merda, vigorosamente força a barra com marreta e pé-de-cabra para no mínimo dizer que ela presta.

Exerce empenhada e despudoramente sua condescência subserviente de negação, através de uma técnica complexa e sofisticada, desenvolvida através de anos de experiência.
Durante a lambeção de sacos, aconchega-se junto as bolas para elas cobrirem-lhe os olhos e taparem-lhe a visão, ajudando-o assim a fingir que não vê, a negar e/ou a desconsiderar cada furo, defeito, desapontamento e ação má-intencionada de seu objeto de adoração.

Mas nem tudo é assim simples e harmonioso na manutenção desse dedicado relacionamento. Ele vive através de um rígido e trabalhoso modo de conveniência aduladora. Preenche o seu vazio existencial botando azeitona na empáfia dos outros.

 
 
P.S.: Criada no iPad com o ArtStudio.

Bad Little Thing – (cc)

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Todas as vezes que um imbecil enchia a boca de empáfia eruditifílica e clichêzava “O inferno são os outros”, ele sentava-lhe um tapão na cabeça, subia o nome na listagem de extra-sofrimento pós-morte e perguntava para o néscio:

— Tem espelho em casa não, ô babaca?

 
 
El Making-Of

Quando perguntam a origem das coisas: tudo começa com papel e lápis.

 
 
Download: eps – RGB – 131 Kb

Obs: A imagem no formato “EPS” (Encapsulated Post Script) pode ser aberta na maioria dos programas gráficos e redimensionada para o tamanho desejado.

O fim do mundo

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O mundo vai acabar?

Não, ele já acabou.
O que vivemos agora é o pós-coito ruim.
O sono, o arrependimento, o constrangimento, a vontade de ir embora.

Idéias e parvos na pós-era da informação

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Sobressalente

Não aguentava mais ouvir tanta besteira.
Chegou num nível tal de desespero que investiu todas as suas economias em desenvolvimento de bio-tecnologia para filtragem e seleção de informações, baseadas em cruzamento de dados através de análise booleana, semântica e referencial.

Depois de uma bateria exaustiva de testes, a versão beta do aparato foi finalizada e, apesar da resistência da equipe de cientistas, ele apressou-se em deitar na mesa de cirurgia. Dezessete horas e meia de cirurgia e o hardware orgânico estava implantado.

Após uma semana sem apresentar nenhum sinal de rejeição, o implante estava totalmente integrado. Três semanas de recuperação e cicatrização depois, decidiram que era hora de acionar o mecanismo em sua potência integral.

E aí, o inesperado.
Nem a adição de dois módulos de plugins de aperfeiçoamento de cognição deu jeito.
Baseados em impressões de estabilidade existencial e em uma observação superficial de padrões, ninguém conseguiu, técnica ou filosoficamente, prever a complexidade do comportamento dinâmico das besteiras, faltas-de-noção, patrulhamentos, arrogâncias e raciocínios primários.

Ao depararem-se com os filtros psico-conteudísticos e firewalls conceituais, as estupidezas inesperadamente apresentaram uma deliberada capacidade de auto-preservação, adaptação e ação de multiplicação: transmutaram-se tematicamente em críticas grosseiras de inclusão segregacionista, indignações primárias politicamente corretas e engajamentos histéricos perfunctórios.

O implante não aguentou. No final do terceiro dia, sobrecarregado pelo incomensurável fluxo de informações contraditórias e dados reduntantes, entrou em curto e parou de funcionar. Todo o mecanismo ficou inutilizado ou irremediavelmente comprometido.

E ele decidiu que o deixaria deste modo. Queimado, inerte, insensível e surdo, mas inofensivo. Antes o isolamento do que uma existência excruciante.

Apesar do fracasso prático, o experimento serviu de base para a fórmula que possibilitou toda uma nova linha de pesquisa relacionada à proteção e saúde da inteligência humana.
Foi através dele que chegou-se ao Teorema do Engajamento Desperceptivo Estólido Mutacional:
“A língua é viva. Os imbecis também.”

Fashiontards

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Ele é muito preocupado com a forma.
Ele só bebe Colacola Zerolight.
Mas não por causa do peso, isso ele mantém debruçando-se regularmente sobre vaso sanitário com o dedo enfiado na garganta.

É porque as cores da lata combinam com sua camisa e seu sapato.
Ele tem muito estilo.

Gritaria

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Galbraith analisou economica-socialmente os últimos 200 anos como A Era da Incerteza.

Ambientados na hipervia de informação, aparelhados pelas mídias sociais e amparados pelo patrulhamento virtual, vivemos o alvorecer de um novo tempo: A Era da Indignação.

Celebridade

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Do alto de seu pedestal, era tudo lindo e perfeito em sua vida.
Até que um dia alguém a olhou de sobrancelhas arqueadas e testa franzida e soltou em sua face:

— Moça, você é famosa apenas na Roliúde dentro da sua cabeça.

Autoestima-whore mathematics

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Madalena

Depois de passar pela terceira vez na frente do canteiro de obra, resolveu tirar satisfações.
Sinceramente indignada, encarou os três operários presentes.

— Oquêi, foram três passadas, duas vozes e duas cantadas diferentes. Então, quem foi aí o palhaço mal amado de pau pequeno que não falou nenhuma gracinha?!

Dicas de etiqueta e boas maneiras da Dona Lurdinha

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Tire esse cotovelo da mesa.
Tem uma casca de feijão no seu dente.
Esfregue bem atrás da orelha.
Abotoe essa camisa.
Pessoas de bem falam baixo.
Não fale a menos que lhe dirijam a palavra.

Isso muito bem.
Agora tire a calça, pegue aquele cabo de vassoura e enfie ele aqui atrás.
O chicote também.

Ah, e todo esse ódio acumulado aí em cima da mesa? Pode deixar aí mesmo.
Vou deixar pra exercitá-lo depois.

 
 
P.S.: Criada no iPad com o ArtStudio.