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Não me arrependo de nada! Apenas do que não fiz.1

Disparadas geralmente por inocentes digressões em momentos em que a cabeça está desprevenida e divagante, certas lembranças vem à tona num repentino fechar de olhos. Elas trazem um familiar e desagradável arrepio na nuca e fazem a cabeça dar uma discreta balançada numa inútil demonstração física de negação enquanto uma ligeira tremida de corpo se manifesta como se exorcizasse o incômodo acontecido, tanto do momento em que aconteceu quanto da própria memória.

São alfinetes enferrujados que inesperadamente teimam em se espetar na parte traseira inferior da chamada consciência. São instantâneos de pequeninas tragédias pessoais que não influenciam diretamente nenhuma trajetória, mas se misturam inportunadamente à existência até mesmo do mais correto dos mortais. Sempre voltam. E trazem consigo a inerente impressão de que se esses fatos nunca tivessem ocorridos, a vida teria sido melhor, bem melhor.

1. Mente ou conveniente e medrosamente tenta se iludir ou é apenas maluco.