(Palmtop)

Noite abafada.
Estava bêbado, fedendo a uísque barato e transtornado por uma traição ainda fresca na memória e no peito. Partiu para uma atitude extrema.

Como não tinha coragem suficiente para crime passional pegou o velho violão e cambaleou até a encruzilhada mais distante na esperança de vender a alma em troca de transformar uma de suas composições em grande sucesso musical. Sucesso para esfregar na cara das várias derrotas acumuladas e da desgraçada que lhe plantou o par de chifres na testa. Fama, dinheiro e mulheres.

Acordou no dia seguinte com a cara enfiada na terra, a cabeça explodindo de dor, a boca seca tomada por um gosto de ferrugem e a camisa suja toda manchada de vômito. A sua alma continuava sua.
Não houve pacto sinistro que desse suporte. As suas músicas eram muito ruins.