Archive for April, 2011

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A menor fração da dúvida

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Ela olhava para ele com uma expressão mista, mas de uma soberba uniforme.
Era um pouco de blasé, um tanto de presunção e um bocado de petulância que o deixavam espremido contra o chão. As costas com o peso do mundo e os pés chumbados no piso de cimento queimado.

O único afrouxo de cinto que lhe dava espaço suficiente para manter-se respirando era a impressão de um ligeiro, quase imperceptível, sorriso que às vezes parecia dar as caras no canto daquela boca bem desenhada pelo batom discreto. Era a mais ínfima fração de dúvida sobre suas intenções.

Era um vislumbre quase indetectável do que se passava na cabeça dela enquanto fitava-o implacavelmente, enquanto examinava-o detalhadamente da cabeça aos pés e apenas pensava em:

depravações
descaramentos
despudores
desvergonhas
espurcícias
frascarices
imoralidades
impudências
impudicícias
incastidades
indecorosidades
libertinagens
libidinagens
licenciosidades
luxúrias
maganagens
obscenidades
ordinarices
patifarias
perdições
perdimentos
perversões
poucas-vergonhas
sacanices
safadezas
safadices
salacidades
e
sem-vergonhices

Suas intenções não eram más, eram piores.

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Coxinhas e caveiras

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Coxinha boa é coxinha morta, empanada e frita.
 
 

P.S.: Ilustração vetorial 100% feita no iPad com o Inkpad.

Mundocano

Mundocano – O ladrão, os super-heróis e a cara-de-pau sem-noção

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Não costumo escrever muito por aqui e nem é essa a proposta. Muito menos escrevo diretamente sobre casos recentes, reais e/ou sensacionalistas, mas não é todo dia que se acompanha contemporaneamente um caso tão escalafobético dentro de um universo sobre o qual tem-se interesse, frequenta-se e, até certo ponto, faz-se parte. Não é todo dia que aparece o maior vigarista, cara de pau e sem-noção já visto nos mundo das histórias em quadrinhos: um sujeito chamado Rob Granito.

O caso é que este indivíduo não só traçava por cima de desenhistas famosos de super-heróis, como escaneava os desenhos, fotos de atores e cartazes, aplicava alguns filtros de photoshop, imprimia, borrava as bordas com pincel e tinta, e vendia como obras originais de sua autoria! E fazia isso há cerca de dez anos, em diversas convenções pelos EUA e através do ebay!

Ah, deixa eu explicar rapidamente: em praticamente todas estas convenções norte-americanas de quadrinhos (e sci-fi, horror e afins pop-culture) artistas amadores e profissionais podem alugar stands e vender cartazes, posters, pinturas e desenhos tanto de sua autoria quanto de personagens famosos. As editoras e companhias detentoras dos direitos destes personagens, principalmente Marvel e DC Comics, fazem a política vista-grossa-deixa-eles-brincarem que isso só ajuda ainda mais a divulgação de nossos personagens e produtos. Claro que isso apenas se estes impressos e desenhos forem produzidos e comercializados em baixa escala, quase que artesanalmente, e que não concorram com os produtos das empresas. A partir disso, justamente uma das principais mercadorias-ganha-pão desses artistas são as chamadas comissions, encomendas de desenhos e pinturas feitas por fãs durante a feira para entrega posterior ou para desenhos feitos na hora, inclusive em blocos de desenho que alguns carregam como se fossem cadernos de autógrafos. E até bem pouco tempo atrás era exatamente isso que Granito fazia como uma de suas principais fontes de renda, só que não apenas com os personagens de terceiros, mas com os cartazes, posters, pinturas e desenhos alheios.

Eis algumas “criações” de Rob Granito:

Phil Hester X Granito

Aldrin Buzz X Granito

Andy Kubert X Granito

Não satisfeito, o salafrário alegava diversos créditos inexistentes em trabalhos notórios como Batman: The Animated Series e Calvin & Haroldo. Esta última alegação ainda beirava alucinação, uma vez que é notório o fato de que Bill Watterson, o criador da dupla, ter sido o único e possessivo desenhista dela e nunca ter permitido nem mesmo o licenciamento dos personagens para nenhum produto (sim, aquele adesivo do Calvin fazendo xixi com cara de safado que você adora é pirata). Alegou também que, contratado por um editor imaginário da DC comics, teria sido “ghost artist” de capas de revistas como Batman: Shadow of the Bat e Teen Titans, como se existisse tal atividade e como se fosse possível para ele desenhar em nome de George Pérez, dada a muito baixa qualidade de seu trabalho. E não satisfeito ainda mais, e certamente imbuído de um sentimento de impunidade e/ou ninguém-vai-dar-importância-mesmo, comentou publicamente que havia trabalhado com um conhecido e falecido artista do meio. E aí foi quando a turba realmente se indignou (Nota: nunca, nunca tente falsamente enobrecer o seu currículo aproveitando-se de nomes de gente famosa, querida e morta. Comprovadamente não agrada.).


Acid Portart X Granito – Aqui e em várias outras do mesmo “estilo”, Granito vai aonde cara-de-pau nenhuma jamais foi anteriormente. Escaneou uma foto, aplicou (mal) alguns filtros de Photoshop, imprimiu e depois lambuzou (sim, porque isso não é pincelar) as bordas de tinta.

O desmascaramento começou aqui: “Who On Earth Is Rob Granito?
E aí continuou aqui: “More Fun With Rob Granito

E daí se espalhou como fogo por toda a rede (relativa a este universo HQ-artes visuais-pop-geek, é claro). Criou-se até mesmo um grupo no Facebook, o qual acompanho desde a primeira semana do absurdo, que recentemente, em apenas um mês de existência, já atingiu a marca de mais de 4.000 participantes: “Robert Granito Is A Fraud“.

Um parêntese: Além de todo o disparate, sei que o grande público em sua maioria não tem lá os olhos super treinados, mas dá-se o que pensar sobre gostos, capacidade de reconhecimento e análise visual desse espectador/consumidor de produtos e meios dessa cultura pop-geek. Pode-se observar (a olhos vistos…) que o consumo e a vivência dentro de um meio não necessariamente aprimoram o gosto ou discernimento visual, mesmo quando, ironicamente, grande parte do apelo dos produtos consumidos é justamente estético. – Fecha parêntese.


Um feliz comprador de um triste e legítimo Granito…

Sim, mas não vá embora! Porque a lista de absurdos continua. E o sujeito, que já demonstrava uma porcentagem descomunal de falta de noção ao fazer-se passar inúmeras vezes por outras pessoas para defender-se em seções de comentários de diversos fóruns e blogs, resolveu que não iria recolher-se ao silêncio debaixo de uma pedra e esperar os camponeses enfurecidos passarem direto com suas tochas e forcados. Nem mesmo iria também contar com a possibilidade do fator de esquecimento natural (?!) contemporâneo e ser substítuido pelo próximo escândalo da semana. Ele resolveu que iria “reinventar-se”.

Numa rara mistura de estupidez e megalomania com traços claros de sociopatia, jamais vista antes em um escândalo mobilizador de internet, Rob Granito resolveu:

- auto intitular-se o “bad-boy/Charlie Sheen dos comics”;

- alegou perseguição por parte dos outros artistas comparando seus plágios com homenagens e com trabalhos reais como o de Alex Ross (logo quem!…) para The Silver Age Trading Cards (solicitação direta da Marvel);

- e em uma tour de force, para fechar o caixão e virar a personalidade mais odiada do universo artístico-sequencial, o Mega-Beócio (sim, a esta altura, ele já adquiriu status de vilão de HQ de super-herói, mas daqueles que só entram na luta para serem espancados) resolveu COBRAR para dar entrevistas. Sim, isso mesmo, cobrar e ainda estabelecer uma tabela com preços diferenciados por tempo e veículo (perguntas por email ou por telefone).


A minha foto preferida do sujeito. Destaque para a espetacular espontaneidade da tinta espalhada pela camisa, avental (?!), cara-de-pau e pescoço. Todos os lugares, exceto mãos e pincel.

Não precisa dizer que a partir desse momento, Rob Granito tornou-se um pária, exemplo concreto de tudo de ruim que possa envolver esse universo. Exemplo de tudo que não é cada um daqueles que, seja por profissão, hobby ou fandom, usa uma caneta, pincel, lápis ou mesmo o dedo para desenhar de forma legítima, apaixonada e criativa.

 

 

PS: A 1a ilustração lá no alto, que eu criei há algumas semanas atrás para o grupo do Facebook, foi feita nos moldes de um tipo clássico de comission praticada nas convenções, de desenhos rápidos a grafite e de valores entre 15 e 30 dólares (dependendo do autor). Foi uma encomenda para Dona Justiça, com entrega marcada direto em Arkham.
PS-2: Mundocano é uma nova série sobre as atualidades WTF?! que nos lembram que parece que alguma coisa estranha tá vazando em algum lugar.

Creative Commons, Default, Poparoids, Vetor

Poparoids – Mamilos, O Poster – (cc)

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Mamilos são polêmicos.
Mamiiilos.
 
 
Download: eps – RGB – 208 Kb
 

Obs: A imagem no formato “EPS” (Encapsulated Post Script) pode ser aberta na maioria dos programas gráficos e redimensionada para o tamanho desejado.

PS: Design inspirado originalmente em “Uma polêmica”.

PS.2: Polaroids? Não, Poparoids. É uma nova série de instantâneos sobre fenômenos, fatos e acontecimentos “pop’s” atuais, contemporâneos, fugazes e imediatistas.

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Ilustração reversa especial – Coisas legais para se fazer hoje

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(E tomar suco de melancia.)