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É cheio de certezas cultas e superiores, suas e dos outros.
Seu discurso é vigorosamente empolado e hermético.
E quanto mais empolado e hermético mais ele se acha intelectualizado.
Ao fundo, a sua sombra projetada nas suas próprias expectativas é a de uma pequenina criatura (uns três palmos de altura), que encolhida num canto resmunga trêmula e infinitamente num desejo desesperado de ser levada a sério.
Cada meia hora de suas falas, pensamentos e/ou escritos não rendem dez segundos de entendimento. Palavras compridas, aparentemente eruditas, que ajuntadas com o cuspe da arrogância e dissimuladas pela abstração, desfiam apenas empáfia, pretensão e vácuo. Pelo menos nesse aspecto ninguém pode dizer que ele não é criativo: é dos poucos capazes de criar um vazio rococó.
E como todas os de sua espécie, sofre da mais irônica forma de contradição. É completamente desprovido de um senso de humor que guarde traços mínimos e reconhecíveis de inteligência.
Seu senso de humor é daqueles escatológicos, físicos, preconceituosos, capaz de fazer um menino chato e hiperativo de treze anos olhá-lo com a testa franzida, sobrancelhas arqueadas e um leve e negativo menear de cabeça.
*”Baseado em Fatos Reais” é uma série de ilustrações reversas baseadas em fatos reais.