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Quem diz que nunca se arrependeu do fez, mas apenas do que não foi feito, está mentindo, convenientemente se iludindo ou é apenas maluco. Certas lembranças quando vem à tona, disparadas não se sabe exatamente porquê ou por quem e geralmente num momento em que a cabeça está desprevenida e divagante, trazem consigo um frio no pescoço e uma familiar e desagradável sensação que faz os olhos se fecharem, a cabeça dar uma discreta balançada numa última – e sempre inútil – tentativa de negação seguida por uma ligeira tremida no corpo como se exorcizasse o incomôdo acontecido, tanto da memória quanto do próprio momento do ocorrido. Reação saudável, mas como manifesto, inútil. Memórias como estas sempre voltam.
Esses alfinetes pontiagudos e enferrujados que inesperadamente teimam em se espetar na parte traseira inferior daquilo que pode-se chamar consciência não são os fios condutores das narrativas particulares de cada um, mas sim pontos de referência individuais e desconsoladores. São pequenos flashes de momentos de tragédia pessoal, angústias-relâmpagos, que talvez não influenciem diretamente a trajetória de vida de ninguém, mas que sem dúvida se misturam à existência de todo ser humano, até mesmo do mais correto dos mortais, trazendo consigo a inerente impressão de que se esses fatos nunca tivessem ocorridos a vida teria sido melhor, bem melhor.